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O antigo deputado constituinte Kalidás Barreto é o convidado especial da Associação de Juristas de Pampilhosa da Serra (AJPS) para a cerimónia de inauguração da exposição “Os Deputados Pampilhosenses ao Parlamento Português CONTINUAR

Novidades da aldeia de Cabril

Fique a par das novidades da aldeia de Cabril. O restauro da torre sineira da antiga igreja paroquial, a semana desportiva, novidades do parque desportivo, entre outras notícias. continuar

O objectivo final é tentar criar uma base que sirva de estudo a potenciais interessados pelas nossas gentes”

Por: António Amaro Rosa (Para o Jornal Serras da Pampilhosa)

Associação de Juristas da Pampilhosa da Serra (AJPS) vai levar a cabo em Setembro deste ano uma Exposição intitulada “Os deputados pampilhosenses no Parlamento português (1822-1976).  Continuar
 

A Biblioteca Municipal pampilhosense vai ser enriquecida com 16 volumes graças à exposição “Os Deputados Pampilhosenses ao Parlamento Português (1822-1976), organizada pela Associação de Juristas de Pampilhosa da Serra (AJPS) e com inauguração agendada para o dia 11 de Setembro. continuar

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"..Acho que o grande problema do Regionalismo e da sua relação com o concelho é o facto de andarmos sempre com paninhos quentes, com muito faz de conta e palmadinhas nas costas,..."

Entrevistado por: Luís Gonçalves

 

César Oliveira acompanhado da esposa EditeCésar Almeida Mendes de Oliveira, 51 anos bancário de profissão, regionalista convicto. Do homem a quem se deve a criação do jornal “Serras da Pampilhosa”, pouco há a dizer que não seja já do domínio do mundo regionalista.
 Amante incondicional da sua aldeia, vê na juventude, a saída para o desenvolvimento futuro dos eventos de uma aldeia que começa a ser uma referência no panorama pampilhosense. Motor de arranque para vários eventos marcantes, principalmente nas festas de Páscoa, impulsiona sem olhar a esforços, os jovens e os menos jovens, sendo que, nos eventos mais inovadores a sua participação é incondicional.
 No campo regionalista, assumiu recentemente a ruptura com a direcção da Casa do Concelho, permitindo porém, em nossa opinião, que se mantivesse uma porta entreaberta para o futuro das suas relações com o regionalismo pampilhosense, ao nível da Casa do Concelho.
 Quisemos saber o que pensa o homem que não receia as criticas, mas também não sente qualquer tipo de receio em exprimir por escrito, ou verbalmente, o que pensa de momentos importantes, como foi a última Assembleia Geral da Casa do Concelho de Pampilhosa da Serra.


Serras_Online – As festas da sua aldeia, principalmente durante os festejos da Páscoa, começam a ser uma referência no concelho. Qual a estratégia, para um tão grande envolvimentos dos jovens nesses projectos?
César Oliveira – Simplesmente acreditar nos jovens. Mas, antes de continuar a responder, importa desde já deixar claro que esses festejos são obra de todos e não apenas de uma pessoa. Todos contribuem e têm um papel relevante a desempenhar.
O velho regionalismo nunca encarou bem a chegada de juventude, sempre se considerou o dono da verdade e nunca acolheu de bom grado as propostas de ruptura próprias dos mais jovens, porventura até como forma de poderem justificar “ainda por cá andamos porque não aparece ninguém para nos substituir”.
Na Póvoa é assim: surge uma ideia, juntamo-nos todos e discutimos. A partir do momento em que acertamos o programa, só temos um caminho: honrar a Póvoa. E até neste âmbito das ideias, também devo referir, porque é justo, as grandes ideias não têm saído da minha cabeça, mas por exemplo da minha mulher ou mesmo da juventude da Póvoa e normalmente tudo começa com um “... e se fizéssemos isto”. Mas, como disse anteriormente, o segredo é não impor nada e tratar toda a gente por igual.
E depois uma coisa muito importante, acreditar na palavra dos mais jovens e, felizmente, a Póvoa tem jovens de palavra.
Serras_Online – E com os menos jovens, como se faz para angariar a sua participação?


César Oliveira – Muito simples, fazendo.
E se o que fazemos é bem feito, então são as próprias pessoas mais velhas que pedem para entrar nas nossas “brincadeiras”. 
Qualquer evento na Póvoa obedece a determinadas regras básicas e das quais jamais abdicaremos:
a) tudo é feito na Póvoa e, por exemplo, no fim de semana da Páscoa, produzimos entre 500 as 600 refeições;
b) não existem lugares marcados, os primeiros a chegar sentam-se;
c) não existem preços fixos (excepto no jantar de sexta feira de Páscoa), cada participante dá o que pode;
d) todos os valores recebidos, dinheiro ou géneros, são publicitados aos associados no prazo de uma ou duas semanas;
É claro que beneficiamos do facto de termos mulheres únicas no concelho e essa é uma grande ajuda, uma garantia de sucesso que nos marca efectivamente. Mas também não podemos esquecer o modo como nos envolvemos nas coisas e que, sem falsas modéstias, contagia qualquer um. Por exemplo, é normal ver pessoas da dimensão e nível de Arnaldo Rodrigues de Almeida ou Júlio Antão a descascar batatas ou alhos ou a servir cafés.
Portanto, o segredo assenta essencialmente em “fazer” as coisas e não encomendar de fora; todos têm um papel importante a desempenhar, quem não tem jeito para fazer uma coisa pode perfeitamente fazer outra diferente. Na Póvoa é tão importante quem mata o porco como quem ajuda a montar as mesas; tão importante quem faz a refeição como quem serve. 
É claro que também é decisivo saber criar o factor surpresa e reparem, como não se deve sentir uma mãe ou uma avó ao ver o seu filho(a) ou neto(a) em palco a fazer coisas em nome da sua aldeia, pois apenas - penso eu - deve sentir o desejo de também ela subir ao palco e mostrar aquilo que sabe fazer.
Assim, invertemos positivamente o grande dilema do regionalismo actual e em vez de serem os mais novos a baterem à porta, são precisamente os mais velhos a quererem acompanhar a “pedalada” dos novos.
Serras_Online – Durante os vários eventos, principalmente as chamadas festas surpresa, já alguma vez pensou que pode estar a confrontar-se com a cultura tradicional e conservadora das Serras da Pampilhosa?


César Oliveira - Temos,  uma vez por todas, de acabar com a tradicional tristeza e ”cinzentismo” da nossa população, dando-lhes oportunidade de fazerem coisas diferentes, mais alegres e que abram o espírito. As pessoas da Pampilhosa têm tanto valor quanto as que vivem em Lisboa ou no Porto.
Nós não fazemos nada contra ninguém, apenas queremos divertir as pessoas. O grande desafio agora é transportar o espírito que se vive na Póvoa para o próprio concelho, criar um intercâmbio entre aldeias, partilhar experiências, envolver cada vez mais jovens e chamar mais juventude às nossas aldeias.
Repare, hoje em dia, a Póvoa tem nas suas festas perto de uma vintena de jovens, sendo que muitos deles não são nem tem raízes na Póvoa. Foram uma vez, gostaram e fazem questão de marcar presença, festa após festa. E é este espírito que temos que alargar a todo o concelho, temos que inverter o “status” actual e atrair juventude.
Se vamos repetir as coisas que se faziam no passado, estamos condenados a viver os eventos sozinhos, tristes e sempre virados para a saudade, para os tempos em que as nossas aldeias tinham gente.
Inovação e alegria são as grandes apostas.
Serras_Online – Como sabe, em Dornelas do Zêzere ainda há muita gente. E se houvesse oportunidade de repetir a festa da Póvoa em Dornelas e em data a combinar? O que seria necessário em termos de logística para que tal viesse a acontecer?
César Oliveira – O próximo passo é esse precisamente, estender ao concelho aquilo que fazemos nas nossas festas. Não posso, neste momento, ainda avançar com dados concretos, mas na próxima Páscoa já poderei ter uma resposta.
Como afirmei anteriormente, o processo na Póvoa é sempre uma decisão conjunta e o grande desafio agora é, precisamente, ultrapassar as fronteiras da Póvoa e procurar intercâmbio com outras aldeias. Ainda no mês de Março iremos ter o ensaio geral e aí as pessoas serão questionadas se estão disponíveis para ir a outras aldeias do concelho.
Pessoalmente acho que deveremos avançar, mas é apenas uma opinião e terá de ser o conjunto a manifestar-se.
Serras_Online – Inovação e alegria, não quer levantar, só um pouquinho, o véu, e falar da festa deste ano?
César Oliveira - Este ano vamos simplesmente arrasar. Para além das cantigas, vamos incluir dança, muita dança, fazendo a ponte entre a Póvoa dos anos 30 e 40 e aquilo que hoje se dança nas discotecas da moda. Ah, claro, não vamos esquecer a vertente humorística e este ano vamos levar à Póvoa o “Jorge” Castelo Branco e a sua fiel companheira “Betty” Edite.
Mas importante mesmo é o espírito que se cria, são os ensaios, a compra de adereços, as brincadeiras, a ajuda interna, ou seja, envolver mais de trinta pessoas a dar o seu melhor para que a coisa resulte.
Serras_Online – E no trabalho? Acreditamos que as suas “façanhas”, tenham já chegado, via Internet, ao seu local de trabalho. Como é a reacção dos colegas de trabalho?
César Oliveira – Os meus colegas mais próximos conhecem a Póvoa e tanto em Agosto como na Páscoa, lá estão eles a contribuir para o sucesso das festas. Ficam na Residencial, pois assim poderão de alguma ajudar a dinamizar a economia local. Outras pessoas amigas ficam em casas que temos na aldeia, mas quem tem algum poder de compra é sempre sugerido que fique na vila. E talvez, mais ano menos ano, algum acabe por comprar uma casa na Póvoa, quem sabe.... já esteve mais longe.
Serras_Online – Por várias ocasiões, e sempre com o seu envolvimento incondicional, embora não pareça, assistiu-se a homenagens a destacados povoenses. Na sua opinião, qual a importância para a aldeia que têm estas homenagens?
César Oliveira – As ditas homenagens são agradecimentos públicos da Póvoa e como tal devem ser feitos enquanto as pessoas estão vivas.
Os agradecimentos são sempre – reafirma-se, o sempre – feitos com a cumplicidade de um dos filhos do homenageado e em segredo. Assim chamamos cada vez mais gente à Póvoa e demonstramos a quem nos visita (e maioritariamente amigos dos homenageados) o quanto estamos orgulhosos de sermos da mesma terra, da mesma aldeia.
Nós temos orgulho na nossa gente.
Serras_Online – Mudando de assunto. Será inevitável, incontornável mesmo, que a política seja uma questão que o envolve. O apoio nas última Autárquicas ao candidato do PSD, levantou muitas perguntas aos pampilhosenses que sempre o conheceram como “não alinhado”. Quais as razões que o levaram a abandonar essa postura?


César Oliveira -  Muito simples, o projecto do candidato José Brito.
Vejamos, as pessoas estão habituadas a que quem não está comigo está contra mim. Ora, eu penso que as coisas não devem ser assim e nesta fase importante para o concelho de Pampilhosa da Serra entendi, e entendo, que o melhor projecto era corporizado pela candidatura que apoiei.
E fi-lo porque vi finalmente avançar obras que podem alavancar o concelho. A reconversão do Rio Unhais é essencial para o futuro e a construção de um hotel de 4 estrelas (obra particular, é um facto) será determinante para o turismo e serviços da Pampilhosa. A partir daqui podemos gerar algum emprego e recursos humanos mais qualificados. Quanto a mim o que realmente estava em causa era perceber quem tinha mais condições para atrair investimento e gerar emprego.
Creio, no fundo, que existe um tempo para tudo e creio que, numa eleição tão renhida como a que se perspectivava, era importante dar testemunho do apoio a alguém que sempre considerei que já há dez anos se deveria ter candidatado à presidência da Câmara da Pampilhosa.
 
Serras_Online – O César Oliveira, nunca foi um homem de projectos sem resultados. O que espera da sua participação  na actual vida política do concelho?
César Oliveira – Não sei, estou ainda numa fase de adaptação e aprendizagem. À Assembleia Municipal não compete gerir os destinos do concelho ou definir prioridades, todos sabemos ao que vamos e por isso mesmo a minha intervenção terá de ser efectuada dentro dos parâmetros que balizam a actividade de um deputado municipal.
Serras_Online – Ainda falando em política. Recentemente um artigo editado no jornal “Serras da Pampilhosa”, sob o nome, “Serras: Entre a mudança e as coincidências”, da autoria de Isidro Fernandes, veio colocar o mundo regionalista em ebulição. Acredita neste tipo de posturas?
César Oliveira – Que tipo de postura? Divido o artigo de Isidro Fernandes em duas partes: a primeira, muito virada para o “Serras” e seus conteúdos, a qual obviamente não subscrevo; a segunda, mais virada para a campanha eleitoral e o envolvimento da Casa do Concelho, essa merece a minha concordância.
Isidro escreveu o que lhe ia na alma, com frontalidade, sem receios e isso deve ser enaltecido, concordemos ou não com o seu teor. Acho que o grande problema do Regionalismo e da sua relação com o concelho é o facto de andarmos sempre com paninhos quentes, com muito faz de conta e palmadinhas nas costas, aqui o que aconteceu foi alguém falar abertamente, sem preconceitos.
Serras_Online – Concorda portanto nessa postura. No entanto, postura idêntica, apenas suportada por factos, assumida pelo administrador do jornal digital “Serras_Online”, valeu ao mesmo, o corte imediato, por parte do actual executivo camarário, do envio de notícias. Que leitura faz desta suposta tentativa de asfixiar quem se atreve a “desafiar” a CMPS?


César Oliveira –  Não conheço em detalhe o exemplo dado, mas obviamente não estou de acordo com qualquer tipo de represálias só porque emitimos a nossa opinião. Aliás, em tempos e com o “Serras da Pampilhosa”, sofri ataques pessoais só porque as pessoas entenderam que eu estava a falar mal delas.
O grande problema da Pampilhosa é que, sendo um meio pequeno, está sujeito ao “diz que disse” e isso muitas vezes acaba por não corresponder à verdade, deixando em maus lençóis quem acreditou naquilo que lhe disseram.
Serras_Online – Na sua opinião, e uma vez que somos tão poucos, a CMPS, não deveria ter em conta o trabalho feito pela Net_Pampilhosense, em particular pelo Serras_Online, quando decidiu, o corte com a plataforma digital?
César Oliveira –  Sim, claro.
Em primeiro lugar importa situar o extraordinário papel desempenhado pela Net_Pampilhosense na divulgação do concelho e das suas aldeias. Somos, nessa área, um concelho vanguarda e dado como exemplo junto dos nossos vizinhos. É um facto. Indesmentível e que resiste a qualquer pesquisa no Google.
O projecto “Serras_Online” já é outra coisa e assume contornos delicados. Vejamos, e falo um pouco por experiência própria, fiz diversos artigos para o “Serras da Pampilhosa” de acompanhamento de actividades e onde, inconscientemente, acabava por expressar a minha opinião sobre o evento em si ou mesmo sobre o teor das intervenções. Sei que é difícil, mas se estou a seguir uma determinada realização apenas devo escrever o que vi e não tecer juízos de valor sobre o vi. Parece simples, mas não é;  e aqui devo expressar os meus agradecimentos ao António Rosa que me chamou a atenção para esse erro.
O “Serras_Online” ao emitir opiniões está obviamente sujeito ao contraditório e quem não gostou das opiniões escritas pode reagir de uma forma menos “democrática”. Não sou adepto do unanimismo e até aprecio a crítica quando construtiva e leal. Neste caso concreto não sei o que esteve na base do referido “corte” e por isso qualquer referência ao mesmo não me parece correcta.
Serras_Online – Será este o rumo correcto para um regionalismo saudável e moderno?
César Oliveira – Não sei... a pergunta pode servir vários tipos de resposta. Na minha opinião, o alerta lançado sobre o envolvimento político da direcção da Casa (ou de alguns dos seus membros) nas últimas eleições autárquicas é condenável e não me parece nada saudável para o futuro do regionalismo. Agora também é verdade que, esse mesmo artigo, fala de outras situações que não presenciei e, portanto, aí já poderá ser objecto de alguma crítica.
Defendo que tudo deve ser dito cara a cara e o regionalismo só poderá continuar a desempenhar o seu papel se mantiver uma postura de verdade e de coerência.
Serras_Online – Tudo deve ser dito cara a cara, as palavras são suas. Tal deve aplicar-se a factos supostamente ocorridos há muitos anos? Levantar tais supostos factos quando é estrategicamente conveniente, não é um atentado, por um lado à honestidade, por outro lado, ao bom senso?
César Oliveira – Sim, o artigo em causa reporta para situações anteriores, agora já não percebo o que se pretende dizer com o “estrategicamente conveniente”.
Escrever este artigo depois das eleições não me parece nada estratégico, a não ser que se pretenda fazer do seu autor um concorrente directo à actual direcção da Casa. Ora, isso parece-me manifestamente improvável e totalmente fora da realidade. Quanto à honestidade do autor do artigo não me posso manifestar, apenas estive com o Sr. Isidro em duas ou três reuniões preparatórios do II Congresso Pampilhosense e cumprimento-o sempre que o encontro na Pampilhosa.
Sei, e nestas coisas, ser ingénuo às vezes é uma virtude – o que se diz por aí e que grosso modo defende a teoria que este é um artigo encomendado e que não foi o Sr. Isidro que o escreveu. Pois, bem, para esse peditório não dou, para mim o Sr. Isidro escreveu o que entendeu escrever, quem entende de forma diferente deve ter a coragem de dizer publicamente: o artigo foi escrito por A ou B, agora estar a fazer conjecturas sobre eventuais cenários não é propriamente a minha maneira de ser e de estar.
Serras_Online – Na sua opinião há alguma vantagem nesta autêntica “caça às bruxas”?
César Oliveira – Não, claramente que não.
Mas também não podemos ser ingénuos ao ponto de esquecermos o que aconteceu. Existiram acções que mancharam a honra do movimento regionalista e precisamente por isso encerrei o capítulo da minha actividade regionalista. Não deixo a porta entreaberta, fechei-a .E fi-lo  com força e com firmeza.
Serras_Online – Mudando de assunto. Na sua opinião apenas a direcção da Casa do Concelho, deve respeitar o princípio de isenção política? E porque não todos os dirigentes dos restantes Corpos Sociais?
César Oliveira – Numa primeira fase diria apenas a direcção, o poder executivo no fundo. Pessoalmente acho que deveria envolver todos, até porque acho que a política (no sentido dos partidos políticos) vai ser a morte do Regionalismo, como movimento cívico representativo de uma aldeia ou região.
Aliás julgo que o que aconteceu nas últimas eleições ainda vai fazer correr alguma tinta e cujo desfecho encaro com natural preocupação.
Serras_Online – O que espera da próxima revisão dos estatutos da Casa do Concelho?
César Oliveira – Nada de especial. Essencialmente ficará tudo na mesma e apenas se irão alterar ou acrescentar os artigos necessários à viabilização da Casa em termos meramente fiscais ou de adaptação às novas regras associativas.
Serras_Online – A verificar-se a alteração para o princípio por si defendido, (Direcção da Casa não deve envolver-se em lutas partidárias), e a mesma alteração ser aprovada em Assembleia, não o levará a repensar a sua postura perante a Casa do Concelho?
César Oliveira – Não sei, aliás não é suposto que eu saiba das alterações aprovadas, pois ao solicitar a desistência de sócio é claro que deixo de saber o que se passa nas assembleias, nem assento lá posso ter.
Por outro lado, é difícil aceitar a hipótese que a pergunta deixa no ar, então se a actual direcção (e mesmo membros de outros órgãos) defendeu com tanto vigor a possibilidade de participação individual na campanha eleitoral, não faz sentido que mudem radicalmente de opinião menos de um ano depois.
Serras_Online –  Está a partir do princípio que a comissão mandatada para estudar os novos estatutos defenda a postura da actual direcção. E se tal não se vier a verificar? Isto é, se a comissão entender dar novo espírito aos estatutos, ao ponto de impedir qualquer dirigente dos corpos sociais  da Casa, de participar em lutas partidárias dentro do concelho, é suposto ver César Oliveira de novo na Casa do Concelho?
César Oliveira – Não sei, sinceramente.
Repare, as coisas foram longe demais e se, a hipótese que coloca acontecer, muitos dos actuais dirigentes ficam numa situação delicada, porque defenderam uma coisa e agora vão ter que praticar outra. Mas as pessoas têm memória e ficará para sempre a dúvida, se já o fizeram uma vez será que não o voltarão a fazer?
A alternativa é a demissão e isso parece-me que iria deixar o regionalismo mais pobre, pois estamos, maioritariamente, na presença de dirigentes de elevado nível e que fazem obra. Assim, pesando as várias hipóteses, eu que penso de forma diferente, afasto-me e fico sossegadinho no meu cantinho, simplesmente ajudando a reinventar a Póvoa.

Serras_Online – “Reinventar a Póvoa”, nós que convivemos de perto, ano após ano, entendemos facilmente o que quer dizer. Os nossos leitores terão dificuldade em entender, como se reaviva uma aldeia encravada entre montanhas, que tem apenas como mais valia, “matéria prima humana”,  incomum nas Serras da Pampilhosa? Para finalizar e sem se alongar muito pode explicar o que é isso de reinventar uma aldeia?
César Oliveira – Temos o mais importante: pessoas.
A nossa ideia é conseguir instalações para que as pessoas da aldeia se possam divertir e conviver, sem que seja nas habituais atmosferas dos mexericos ou da “mini”. Exemplificando, pretendemos construir um salão com palco e onde as pessoas da aldeia possam fazer ginástica diária de manutenção e onde todos possam devidamente ensaiar para os espectáculos que fazemos, o que provavelmente iria permitir aumentar o número de convívios.
Esta seria a primeira fase, depois poderemos pensar em criar uma marca de produtos regionais e com tantos visitantes que temos, por que não tentar vender produtos endógenos de qualidade?
A “loucura” final será fazer na Póvoa a eleição da Miss Pampilhosa.

Luís GonçalvesF evereiro de 2010

 

 


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