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O antigo deputado constituinte Kalidás Barreto é o convidado especial da Associação de Juristas de Pampilhosa da Serra (AJPS) para a cerimónia de inauguração da exposição “Os Deputados Pampilhosenses ao Parlamento Português CONTINUAR

Novidades da aldeia de Cabril

Fique a par das novidades da aldeia de Cabril. O restauro da torre sineira da antiga igreja paroquial, a semana desportiva, novidades do parque desportivo, entre outras notícias. continuar

O objectivo final é tentar criar uma base que sirva de estudo a potenciais interessados pelas nossas gentes”

Por: António Amaro Rosa (Para o Jornal Serras da Pampilhosa)

Associação de Juristas da Pampilhosa da Serra (AJPS) vai levar a cabo em Setembro deste ano uma Exposição intitulada “Os deputados pampilhosenses no Parlamento português (1822-1976).  Continuar
 

A Biblioteca Municipal pampilhosense vai ser enriquecida com 16 volumes graças à exposição “Os Deputados Pampilhosenses ao Parlamento Português (1822-1976), organizada pela Associação de Juristas de Pampilhosa da Serra (AJPS) e com inauguração agendada para o dia 11 de Setembro. continuar

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Turismo de aldeia "Casa da Professora" Versão para impressão Enviar por E-mail
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"..a Câmara mandou elaborar um Plano Director de Inovação, Competitividade e Empreendedorismo, e acredito que as ideias começam a estar mais organizadas e mais amadurecidas e possam surgir ofertas de grande qualidade e inovação...."
Entrevistada por: Luís Gonçalves

 A “Casa da Professora”, situada no coração da pequena aldeia de Maria Gomes, na Freguesia do Machio, bem podia chamar-se a “pioneira das Serras da Pampilhosa”. Quando em 20 de Maio 2004, o então vereador da cultura, António Sérgio, em representação do Presidente da Câmara, Hermano de Almeida, inaugurava esta obra simbólica, provavelmente não podia imaginar o alcance deste projecto de aldeia.
 Mas os projectos, independentemente do arquitecto ou do engenheiro, têm quase sempre um protagonista, que muitas vezes a custo da própria vida privada, se entrega de corpo e alma à obra em que acredita. Neste caso, uma protagonista.
 Ludovina Cardoso Lopes casada mãe de 2 filhos, terá herdado do pai o amor profundo às serras e ao regionalismo, mas também a lucidez com que se apaixona pelos interesses da pequena aldeia. Puxando ou empurrando um número muito restrito de pessoas, esta licenciada em economia, funcionária de uma grande empresa nacional, ainda encontra hoje em dia tempo para se ligar ao projecto que ajudou a nascer.
 Tentando compreender melhor como tudo aconteceu, ou como acontece ainda hoje, conversámos com Ludovina Cardoso.


Serras – Como surgiu a ideia de aproveitar a antiga residência da professora, para instalar uma unidade de turismo de aldeia?

Ludovina Lopes – O acaso aconteceu no final de uma festa de Verão em 2001 quando arrumávamos as grades de cervejas na velha Casa da Professora que há mais de 20 anos servia apenas como arrecadação.
Cansada e já madrugada dentro, com o bater da porta caía mais um bocado de caliça deixando antever que a Casa afinal era de pedra da região. Foi aí que nasceu a ideia de recuperar a Casa à sua imagem e com a traça da região.
Manter o seu nome e pô-lo ao serviço do turismo da região, foi desde logo a chave do projecto.
 
Serras – Sabemos que foi necessário quebrar barreiras, fale-nos das principais dificuldades que sentiram localmente para tão inovador projecto?

Ludovina Lopes – Quando se começou a passar a ideia às pessoas da aldeia de que iria ali nascer uma Casa de Turismo, sentimos nelas alguns receios no abrir as portas da aldeia a pessoas completamente desconhecidas.
Comentários de que poderia vir alguém com outras intenções era um dos mais ouvidos.
Posso também contar várias questões que nos colocavam quando equipámos a casa com toalhas de banho, cobertores e adereços de cama. Uma delas dizia, “então vocês vão pôr os lençóis e tudo? Não têm medo que as pessoas os levem? Não era melhor elas trazerem?”. Claro que estas eram as perguntas ingenuamente feitas pelas pessoas das gerações mais antigas e de quem nunca tivera uma experiência no turismo.
A curiosidade era grande e ao mesmo tempo sentia-se alguma ansiedade.
Já agora conto o episódio que tivemos com os primeiros visitantes. Comentei várias vezes com as pessoas que ainda havíamos de ter estrangeiros na Casa, e não é que o nosso 1º cliente foi um casal de espanhóis que quiseram vir assistir a uma Etapa da Volta a Portugal na Serra da Estrela?!
É preciso ver que a Casa da Professora foi inaugurada já há 5 anos (Julho de 2004), e um grande amigo não só meu, mas de toda a Pampilhosa, Luís Gonçalves a quem chamamos o homem da Internet, roubando o sono a altas horas da madrugada já tinha feito uma página na Internet para a “Casa da Professora”.
Foi curioso porque eu estava de férias na aldeia e vi pessoas a espreitarem para ver se a matricula era estrangeira. A adesão ao projecto estava feita e logo nessa noite todos na aldeia queriam oferecer o que de melhor tinham, e por isso o casal de espanhóis à noite assistiu com espanto a um cortejo de 5 elementos da nossa comissão a oferecer 1 broa de milho, 2 filhós, 1 garrafa de aguardente de medronho e 1 frasco de mel.
Hoje temos sempre uma bandeja na sala com uma amostra destes produtos e um preçário para cada um deles. Conto com à vontade estes episódios porque é com eles que aprendemos.
  
Serras – E a nível legal, foi complicado organizar tudo?

Ludovina Lopes – Ao nível local, senti algumas dificuldades por estarmos a ser pioneiros num projecto privado com candidatura a Fundos Europeus.
O conhecimento dos Programas ao nível de fundos comunitários em 2000 era ainda muito reduzido, a sua linguagem de difícil acesso e no Concelho a própria Câmara ainda não dispunha de uma estrutura para nos apoiar. Sempre fomos bem recebidos, mas logo à 1ª pergunta se nos podíamos candidatar, foi-nos prontamente dito que os Fundos já estavam esgotados.
Mas também aqui, o acaso foi nosso parceiro. Na nossa aldeia existe uma estrutura empresarial constituída desde 1978, a Cooperativa Agrícola de Produtores de Azeite, filiada na FENAZEITES, que por sua vez faz parte da CONFAGRI, e foi através destas instituições que se abriram as portas de acesso aos Fundos Comunitários.
Claro que depois não foi só o acaso, foi o facto de eu e o meu marido termos apoiado a Direcção da Cooperativa e elaborar um projecto de adaptação do Lagar de Azeite às leis ambientais com a construção de uma lagoa para tratamento de águas residuais, “águas russas”.
Foi assim que as portas do Programa Leader+ ELOZ (Entre Lousã e Zêzere) se abriram.

Ironicamente a primeira dificuldade legal foi provar que o edifício era da Comissão de Melhoramentos de Maria Gomes, apesar de ter sido construído pelo seu povo e de ter uma placa de inicio da construção datada de 1957
Esse episódio aconteceu também com a Cooperativa que já funcionava há mais de 20 anos e não tinha o terreno em seu nome, porque tinha sido doado por 3 mariagomenses.
Tal como muitas das propriedades da zona a sua inscrição constava apenas ao nível das Finanças. O problema foi ultrapassado com a realização de uma escritura de Usucapião.

Serras – Sabemos que os financiamentos necessários a este empreendimento, nem sempre vieram na altura devida. Como foi possível gerir a obra com os avanços e recuos que este tipo de empreendimentos envolve?

Ludovina Lopes – A maior dificuldade por vezes é a do dinheiro na hora certa, porque muitos dos projectos podem cair por falta de oportunidade no tempo. Por um lado a necessidade de alojamento no Concelho impunha-se e por outro lado, se a obra parasse poderia cair em descrédito. Com o empenhamento de todos os elementos da Comissão todos emprestaram dinheiro, porque ao nível dos Fundos Comunitários para além de só contribuírem após obra realizada a demora era sempre superior a 3 meses. Nunca baixámos os braços, chegámos a ter 50% das obras que ascenderam a mais de 100 mil € financiados a custo zero pelos dirigentes da Comissão de Melhoramentos. Este ano, posso dizer, com ajuda de todos e com os donativos que recebemos para além do dinheiro já recebido das ocupações vamos saldar todas as dívidas.

Serras – Em todo este processo, qual foi o papel da Câmara Municipal de Pampilhosa da Serra?

Ludovina Lopes – Como disse atrás estávamos a ser pioneiros num projecto e sentimos que a Câmara ainda não tinha uma estrutura de apoio dirigida para este tipo de projectos. Na 1ª entrevista que tivemos com a técnica do ELOZ, foi-nos colocada a questão se no Concelho havia uma Associação de Desenvolvimento Local, ao que respondemos desconhecermos. Hoje sabemos que existe a dos Pinhais do Zêzere, mas gostaríamos de vê-la mais pró-activa com as Comissões de Melhoramentos, porque tenho a certeza que muitas ideias ficaram pelo caminho.

Serras – E neste momento, o gabinete de turismo do Município é uma mais valia para a sustentabilidade do projecto?

Ludovina Lopes – As estruturas assentam em pessoas e estas são sempre uma mais valia, mas para se atingirem os objectivos tem de haver estratégia bem definida; sei que há pouco tempo a Câmara mandou elaborar um Plano Director de Inovação, Competitividade e Empreendedorismo, e acredito que as ideias começam a estar mais organizadas e mais amadurecidas e possam surgir ofertas de grande qualidade e inovação no sentido de tirar proveito de todas as valências endógenas da nossa região como a natureza, a floresta a água e a paisagem.

Serras – Em tempos, tivemos oportunidade de ouvir a sua opinião face ao turismo em Pampilhosa da Serra. Nessa altura, queixava-se da falta de “massa crítica” no concelho e apontava alguns erros cometidos pela Câmara nesta matéria. Ainda pensa do mesmo modo, ou o actual elenco camarário mudou o panorama?

Ludovina Lopes – Penso que a recente admissão de elementos jovens para as recentes estruturas criadas dentro da Câmara tem motivos para começar a dar algum fruto. Eu própria e mais 3 elementos da nossa Comissão fizemos um Curso de Gestão para Dirigentes Associativos na Pampilhosa da Serra em 2005 aos fins de semana.
Nesse curso que penso terem acabado 12 pessoas, 8 eram de Lisboa, 4 residiam na Pampilhosa da Serra e destes, 3 pertenciam aos quadros da Câmara.
Para mim foi uma experiência muito gratificante que deveria ser repetida e que foi muito pouco noticiada na altura.

Serras – Temos de facto potencialidades ao nível paisagístico, falta um alojamento de referência. Na sua opinião, projectos como a “Casa da Professora” podiam resolver o problema sem recorrer a grandes investimentos? Se sim, qual seria o modelo ideal?

Ludovina Lopes – O nosso território tem uma grande dificuldade à partida que pode ser transformada em oportunidade é a de grande dispersão, por uma área de mais de 400 km2 mas com uma grande diversidade.
Podemos dividir o concelho em 4 zonas distintas, a da zona de Albufeiras e Praias Fluviais (como Santa Luzia, Dornelas e Janeiro de Baixo)
A zona das Montanhas, (como Fajão e Aldeias do Alto Ceira)
A Zona do Interior com mini praias fluviais (desde Pessegueiro até à Pampilhosa da Serra)
E finalmente a Zona das Varandas do Zêzere (Sul do Concelho desde Vale Serrão- Açor até ao Padrões).
Traçar um modelo próprio para o aproveitamento das potencialidades turísticas de cada uma destas zonas e ao memo tempo interligá-las com funções complementares, penso que poderá ser um dos grandes eixos.
As mais valias do Turismo fazem-se à custa da permanência e da circulação de pessoas, este binómio é fundamental. Não é por acaso que já várias Câmaras se têm unido em parcerias para criar essa diversidade e ao memo tempo oferecer programas para as pessoas permanecerem mais tempo nas localidades.
Esse trabalho de exploração e integração do território é fundamental

Serras – Assistimos ultimamente ao direccionamento do turismo em Pampilhosa da Serra, para as aldeias do xisto. Não será um erro insistir de forma tão evidente numa área onde apenas duas aldeias podem desenvolver-se de forma sustentada?

Ludovina Lopes – A crise que estamos a viver vai-nos ensinar que devemos cada vez mais ser flexíveis e pensar nos projectos de uma forma muito racional, as mudanças de atitude comportamental são hoje mais rápidas e mais bruscas pelo facto de termos uma globalização de informação muito rápida. A própria palavra sustentável que hoje se fala em cada projecto é muitas vezes mal empregue ou entra em conflito com o nosso dia a dia. Eu ainda ontem li num jornal público que em Portugal os investidores estão cada vez mais míopes, porque só se investe com uma rentabilidade a 2 anos, ora isto não é sustentabilidade. Portanto temos que ter também outra atitude de olharmos para o futuro.

Serras – Voltando à “Casa da Professora”. É um projecto viável do ponto de vista financeiro?

Ludovina Lopes – Posso dizer que é um projecto caseiro, isto é, foi criado à nossa medida para ser viável, e a sua reduzida dimensão, dá-lhe sustentabilidade, quero dizer com isto que não se criou nenhum elefante branco. No entanto a sua função está a ter uma grande amplitude. Digo isto porque hoje o Concelho de Pampilhosa já é falado em termos de turismo rural em muito lado. Posso dar-vos alguns números, o ano tem 52 semanas e o ano passado tivemos 30 visitas, claro que a maioria foi de fins-de-semana, mas podemos dizer que já estamos a caminho de um boa percentagem de ocupação. Uma da nossa grande mais valia é o passar da palavra e o cartão de visita que se leva da Pampilhosa da Serra. Temos um livro de reclamações único, porque em vez de reclamações, modéstia à parte, até hoje só tivemos elogios. Se houver espaço no jornal deixo-vos aqui o testemunho de um casal que em menos de 6 meses repetiu a sua estadia.
 

 

Serras – Quanto tenho que desembolsar para passar um fim de semana na aldeia de Maria Gomes, alojado na “Casa da Professora”

Ludovina Lopes – Estamos com os mesmos preços desde 1 Julho de 2004:15€ por pessoa na Época Baixa e 20 € nos 3 meses de Verão, com o máximo de 60 € para 6 pessoas no Verão. Não temos feito nenhuma campanha publicitária, apenas a página da Internet chega e o passar de palavra.
Na maioria dos fins-de-semana alargados, os pedidos de alojamento chegam a ser às dezenas e neste fim do ano até alugámos já um anexo particular.
Muitas foram as vezes que indicámos as poucas alternativas que existem no Concelho, porque a nossa lotação é apenas de 6 pessoas.

Serras – Claro está tenho facilidade em contactar a pessoa que me vai facultar a entrada, e dar uma breve explicação do sítio onde me encontro?

Ludovina Lopes - Temos um site na Internet http://casadaprofessora.com.sapo.pt/ onde se encontram os contactos por telefone ou por e-mail.                 
Brevemente irá ter os comentários das inúmeras famílias que já por lá passaram desde Julho de 2004.
Também tencionamos a curto prazo lançar promoções para turismo jovem (até aos 21 anos) e para o de seniores (maior de 60 anos), por isso estejam atentos.

Serras – Para terminar, o que gostaria de dizer aos nossos leitores?

Ludovina Lopes - Termino com um conselho para o concelho, aproveitem as estruturas rurais, e todo o património para termos um turismo próprio, as imagens de marca criam-se com qualidade e diferenciação, e não é preciso grandes luxos, porque o nosso maior luxo é a natureza e o sossego.

 


Pampilhosenses


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