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O antigo deputado constituinte Kalidás Barreto é o convidado especial da Associação de Juristas de Pampilhosa da Serra (AJPS) para a cerimónia de inauguração da exposição “Os Deputados Pampilhosenses ao Parlamento Português CONTINUAR

Novidades da aldeia de Cabril

Fique a par das novidades da aldeia de Cabril. O restauro da torre sineira da antiga igreja paroquial, a semana desportiva, novidades do parque desportivo, entre outras notícias. continuar

O objectivo final é tentar criar uma base que sirva de estudo a potenciais interessados pelas nossas gentes”

Por: António Amaro Rosa (Para o Jornal Serras da Pampilhosa)

Associação de Juristas da Pampilhosa da Serra (AJPS) vai levar a cabo em Setembro deste ano uma Exposição intitulada “Os deputados pampilhosenses no Parlamento português (1822-1976).  Continuar
 

A Biblioteca Municipal pampilhosense vai ser enriquecida com 16 volumes graças à exposição “Os Deputados Pampilhosenses ao Parlamento Português (1822-1976), organizada pela Associação de Juristas de Pampilhosa da Serra (AJPS) e com inauguração agendada para o dia 11 de Setembro. continuar

Leonel Antão Henriques Entrevista Enviar por E-mail


Leonel Antão Henriques, empresário de diversões


 “Como empresário, desde 1986 sempre pertenci ao bairro fiscal de Pampilhosa da Serra e é assim que tenciono continuar, dando a minha contribuição para o melhoramento da nossa terra” (Entrevista gentilmente cedida pelo Jornal SERRAS DA PAMPILHOSA)

A diáspora pampilhosense caracterizou-se, sobretudo no passado, por alguma diversidade e singularidade nas diversas profissões exercidas pelos emigrantes pampilhosenses. Limpa-chaminés, sucateiros, empresários da restauração, condutores de táxis, vendedores de sapatos, entre outros, foram alguns dos ramos trilhados por pampilhosenses fora do seu território de nascimento. Seguramente que um dos mais castiços ramos de negócio adoptado por pampilhosenses é o do nosso entrevistado: os carrosséis. Leonel Antão Henriques explica ao “SERRAS DA PAMPILHOSA” como nasceu na ponta Sul do concelho esse curioso negócio de divertir miúdos e graúdos.


Nuno Marques Figueira

Serras da Pampilhosa – Onde nasceu?
Leonel Antão Henriques – Nasci na bela aldeia dos Padrões, a última aldeia do concelho de Pampilhosa da Serra, a Sul, banhada pelos rios Zêzere e Unhais, o que faz dela uma península. Para quem não sabe, é a “capital”, no nosso concelho, dos divertimentos (carrosséis) que percorrem o país divertindo milhares de pessoas todos os anos.
SP – E com que idade deixou o nosso concelho e rumou para outro local?
LAH – Deixei o nosso concelho ainda em criança para acompanhar os meus pais nesta actividade sazonal dos carrosséis, o que acontecia normalmente entre os meses de Março e Novembro, meses esses em que são realizadas as principais festas e romarias de todo o Norte do país. A maioria dos empresários da nossa terra explora a zona Norte, que é considerada pela nossa associação de diversões (a Associação Portuguesa das Empresas de Diversão) desde Coimbra até Bragança, entre outras.
SP – Conte-nos resumidamente as circunstâncias que o levaram a deixar a Pampilhosa?
LAH – Bem, as circunstâncias que me levaram a deixar a Pampilhosa, mais propriamente a aldeia dos Padrões foi, precisamente depois de completar a instrução primária, o seguimento desta mesma actividade que já era dos meus pais e da maioria dos padroenses, e que para uma criança era ainda mais apaixonante, pela aventura, o conhecer em cada ano novas terras, novos costumes e tradições, novos amigos, levar o nome das nossas terras serranas a outros lugares e no final de um ano de trabalho sermos mais ou menos recompensados pelo nosso trabalho, a parte financeira, a rentabilidade de uma profissão atractiva, mas dura diga-se, uma vida nómada, mas onde o contacto com as mais variadas classes sociais, a alegria de adultos e crianças em cada lugar é gratificante. Sendo eu natural de um concelho onde as perspectivas de bons empregos e uma vida melhor eram poucas, e nos concelhos vizinhos a realidade era a mesma, sinto que fiz a melhor escolha em relação ao futuro.
SP – Como foi a sua adaptação a um local longe das serras?
LAH – A adaptação a um local longe das serras, para alguém que, como eu, fez disso vida logo de pequeno, torna-se num hábito. Quando chegava o mês de Março já só nos sentíamos bem nos locais onde iríamos explorar o negócio, para depois em Novembro o desejo ser o inverso, o desejo de regressar à nossa terra, à nossa gente, aos nossos amigos, para um repouso até à nova ‘tournée’.
SP – Nesses locais frequentou outras escolas?
LAH – Nunca frequentei escolas nas localidades por onde passei, porque em criança só em tempo de férias é que acompanhava os meus pais. Frequentei sempre as aulas na nossa terra. Hoje em dia essa situação já acontece com alguma frequência, com os nossos filhos, até por ser mais fácil o acompanhamento familiar
SP – O que o levou a explorar o negócio dos carrosséis?
LAH – O que me levou a explorar o negócio dos carrosséis foi o seguimento de uma actividade familiar, isto aliado às perspectivas de sucesso nesta área de lazer, no meu caso particular diversões para crianças. Esta profissão é uma das principais fontes de rendimento, criadora de riqueza e qualidade de vida da maioria da população dos Padrões.
SP – Como é que uma aldeia sem qualquer tradição, no passado, na área dos carrosséis engloba tantos empresários desse ramo?
LAH – É bom que se saiba que a área das pistas e carrosséis já é explorada no lugar de Padrões desde a década de 60. Tudo começou com um empresário do concelho vizinho de Pedrógão Grande, mais concretamente Valongo, que, ao ser incentivado por outro empresário, este de nacionalidade italiana, onde desde sempre existem as principais fábricas de diversões da Europa, investiu em carrosséis e para a mão-de-obra convidou jovens dos Padrões que aproveitaram esta hipótese de trabalho, na altura paga a 25 escudos que era mais do que o ganho na extracção de resina (18 escudos) ou no duro trabalho do campo. Foram estes jovens trabalhadores que, “com olho para o negócio” e com as dificuldades desses tempos, conseguiram chegar a empresários nesse ramo. Incutiram nos familiares e amigos o gosto e a aposta nessa área que, não esqueçamos, leva o nome da Pampilhosa bem longe
SP – Como encara o regionalismo? Chegou a ter alguma experiência nesse campo?
LAH – Encaro o regionalismo como um bem necessário, principalmente nas terras do Interior, onde o poder central demora mais a chegar e só por si as autarquias são insuficientes para tanta necessidade. O regionalismo é união, é gostarmos do que é nosso, é juntos lutarmos pelo engrandecimento da nossa terra. Além de ter vivido outras experiências a nível associativo, fiz parte dos órgãos sociais fundadores da Associação de Melhoramentos de Padrões e desde o início não mais deixei de lhes pertencer, colaborando e tentando dar o meu melhor pela nossa terra.
SP – Pensa que o Regionalismo ainda faz sentido hoje? Ainda existem áreas para o Regionalismo?
LAH – Quero acreditar que sim, embora entenda que nos tempos que correm seja cada vez mais difícil mobilizar pessoas com disponibilidade para abraçar causas. Hoje vivemos numa sociedade mais individualista e menos participativa, mas acho que a maioria ainda se mobiliza pelas suas terras natal. A meu ver sim, a bem das populações das nossas terras, existem áreas onde os movimentos associativos podem fazer algo pelas pessoas. São elos de ligação entra as gentes desta terra e as autarquias, lembrando as carências e colaborando na melhoria da qualidade de vida de todos. É importante mobilizar os mais novos com ligação as estas terra. Para esses o maior incentivo será o que de grandioso já foi feito nas diversas aldeias do nosso concelho pelos diversos movimentos regionalistas, como associações e comissões, em colaboração com entidades oficiais.
SP – Desloca-se com alguma regularidade à sua terra natal?
LAH – Não tanto quanto desejava, mas sempre que posso desloco-me aos Padrões, onde tenho casa e família.
SP – Coloca a hipótese de contribuir para o futuro da Pampilhosa, nomeadamente através da realização de algum tipo de investimento?
LAH – O futuro a Deus pertence. O que posso dizer é que, como empresário, desde 1986 sempre pertenci ao bairro fiscal de Pampilhosa da Serra e é assim que tenciono continuar, dando a minha contribuição para o melhoramento da nossa terra.
SP – Quais são para si as principais diferenças da aldeia dos Padrões e da vila de Pampilhosa da Serra do seu tempo de menino e a de hoje? Do que tem mais saudade?
LAH – As diferenças em relação à aldeia dos Padrões são bastantes. Hoje existe energia nas casas e nas ruas, água canalizada, estradas alcatroadas e mais qualidade de vida. Mas a beleza, o cheiro, o ar puro, os nossos pinheiros, os nossos rios, a nossa paisagem, isso é igual. A Pampilhosa também mudou no tempo: melhores acessos, mais infra-estruturas, cresceu dentro dos possíveis para um concelho que, como muitos outros, paga pela interioridade e desertificação. Saudades de menino? Sim, muitas, até das coisas mais insignificantes. Tenho saudades dos meus avós, das conversas em família junto à lareira, das brincadeiras com brinquedos inventados por nós à luz da candeia a azeite com um banco de cortiça que ainda hoje preservo, mas muito feliz.
SP – Preocupa-se em dar a conhecer as suas raízes pampilhosenses aos seus descendentes? Os seus filhos gostam de visitar Pampilhosa da Serra?
LAH – Tenho a preocupação de incutir aos meus filhos as minhas raízes, falando-lhes do passado e das vivências dessa época. Eles, por seu lado, gostam de vir à aldeia sempre que podem, à casa da terra como gostamos de lhe chamar, embora também gostem de ir a Mondim de Basto, terra materna, e à Senhora da Hora que é onde estudam e têm amigos.
SP – Pondera alguma vez regressar definitivamente ao concelho?
LAH – Claro que sim, faz parte dos meus planos. Quando os meus filhos tiverem a sua independência, espero passar muito tempo na aldeia dos Padrões na nossa casa, na nossa terra, zelando por tudo o que os nossos antepassados, com muito sacrifício, nos deixaram. No fundo, cuidando das minhas raízes.

 


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